esse foi um dia em que eu me mimei muito: coloquei uma roupinha que eu amo, bebi meu cappuccino com muffin de blueberry e depois fui estudar análise experimental do comportamento na biblioteca! saudades <3
estou fazendo esse post às 3:40 da manhã porque tive um surto de criatividade, escrevi uma postagem e apaguei ela. às minhas melhores ideias geralmente vêm quando faço as coisas por impulso, assisto/leio/ouço alguma coisa legal ou quando tenho epifanias tiradas do nada. acho que hoje foi uma mistura de tudo isso (de alguma forma).
eu sou uma pessoa introvertida, isso é um fato. eu sou um people pleaser (também conhecido como "trouxa", o adjetivo descreve uma pessoa que quer sempre agradar os outros e não sabe impor limites a si mesma), isso é outro fato. por conta disso, uma experiência de vida minha é constantemente passar por cima das minhas próprias necessidades para deixar as outras pessoas confortáveis em troca de validação emocional barata. no entanto, sempre senti muita vontade de fazer passeios sozinho, sem precisar ficar correndo atrás de pessoas para agradar. uma grande parcela das melhores memórias da minha vida foram dias tranquilos e gostosos em que eu passei sozinho, então sinto muita falta de poder fazer isso sem me sentir culpado por querer ficar sozinho.
em 2023, eu quero poder começar a colocar essas ideias de "encontros" comigo mesmo que eu tenho em prática (e como estamos em janeiro, pode ser que eu consiga fazer vários "logs" aqui no blog de coisas que eu fiz sozinho nesse ano). fazer esses passeios e atividades diversas sem mais ninguém vai ser certamente uma experiência bem gostosa pra mim, e gostaria também de motivar as pessoas introvertidas que lerem essa postagem a se levar em encontros também! caso se sintam à vontade, vocês também podem colocar aqui nos comentários as vontades que vocês têm em relação a dates sozinhos pra eu experimentar!!
1. ir a uma cafeteria, pedir um cappuccino e um muffin, ouvir música e contemplar a vida
essa definitivamente era a minha atividade favorita na faculdade quando eu ainda não tinha feito nenhum amigo. a minha faculdade tem uma cafeteria ao lado do prédio em que eu tenho aulas que serve os cafés e alguns doces do starbucks, então quando eu estava trabalhando e chegava aquele dia do mês, eu me mimava com um cappuccino e um muffin de blueberry. caso você não goste de muffin ou de blueberry ou de cappuccino ou de felicidade, você pode adaptar à sua maneira e pedir outros cafés também.
eu costumava degustar com tranquilidade quando não pegava o horário de pico da cafeteria, ouvindo uma musiquinha ou revisando os artigos que seriam discutidos durante as aulas do dia. caso você trabalhe, isso pode se transformar em um coffee office (também conhecido como "usar o Wi-Fi do shopping", o substantivo descreve o trabalho remoto em que as pessoas usam como escritório um ambiente público originalmente destinado à alimentação). você pode até ler um livro, caso tenha a coragem de ler em lugares barulhentos — eu confesso que eu não tenho.
2. ir ao cinema sozinho e assistir a um filme que você realmente decidiu assistir
quero muito colocar essa atividade em prática, mas ainda não tive a oportunidade. na maioria das vezes em que eu tive alguma experiência com o cinema, foi por conta de algum convite de amigos. consequentemente, eu não assisto a muitos filmes que eu gosto, somente a filmes que eles estavam com vontade e que me chamaram para assistir. acho que por isso eu não tenho uma experiência muito agradável com o cinema, adicionando ao fato de 90% dos filmes que eu já fui ver serem da marvel e eu nem sequer gostar de super-heróis.
tenho vontade de ir à lugares como a cinemateca (porque a entrada é barata, mas também porque tem filmes bem interessantes em exibição) e assistir alguma coisa sozinho, prestando atenção de verdade e comendo amendoim. a faculdade também faz algumas exibições de filmes gratuitos, mas o problema do ambiente universitário é que às vezes as pessoas que você conhece também vão a esses eventos ou as pessoas que você não conhece acham que você está disponível para conversar por estar ali, em um evento da universidade.
caso na sua cidade não tenha uma cinemateca, um museu que exibe filmes ou qualquer forma de desconto na entrada do cinema, você pode simular um cinema na sua casa quando estiver sozinho (pena que assim só proporciona uns 30% da experiência).
3. andar de barco, bicicleta, pedalinho, avião, trem, ônibus ou qualquer outra coisa, mas focar nas paisagens e na experiência de viajar
desde que entrei na faculdade, andar de ônibus é parte da minha rotina. não é sempre a parte mais legal da minha rotina (só quem é pobre e ocupado sabe o quão ruim é pegar dois ônibus comuns lotados, em horário de pico, cheio de pessoas fedendo e sem lugar pra sentar), mas às vezes acaba sendo bem agradável (agradeço à minha irmã mais velha pelo patrocínio de me emprestar o vale transporte para eu passear aqui na zona metropolitana do rs).
a partir dessa experiência, andar de ônibus tem sido o meu porto seguro: um momento em que, antes de eu me render à fingir ser extrovertido e buscar atender às expectativas alheias, eu posso aproveitar ficar a sós com meus pensamentos, com as paisagens, com a música que eu escolho e com a paz de estar a caminho. isso é super gostoso. caminhar é gostoso, andar de trem é gostoso, andar de bicicleta pode ser gostoso e por isso quero expandir essa experiência para várias outras, transformando-as em um momento de autocuidado. no fim do dia, o ônibus lotado fica vazio e quase só eu desço no terminal metropolitano, então acaba sendo gostoso também!
4. fazer coisas de adulto sozinho!
existe uma teoria na internet, creio eu que completamente baseada em testes (talvez não seja), que se chama "as cinco linguagens do amor". para dar um pano de fundo rapidinho, nessa teoria existem 5 linguagens possíveis e a minha é a de atos de serviço. a pessoa que demonstra afeto através dos atos de serviço é aquela que vai te fazer um almoço, que vai dobrar roupas com você, que vai te auxiliar a estudar para as provas e que vai ensinar você a pagar contas em algum aplicativo digital como forma de carinho. essa é a minha linguagem de amor.
dando esse pano de fundo, acho que dá para entender melhor por que eu prezo tanto pelo "resolver problemas e planejar as burocracias da minha vida" como forma de autocuidado. descobri que eu adoro me envolver em projetos, sair para pagar contas, comprar roupas quando eu estou precisando, pesquisar lugares para morar, fazer "ranchos" (nesse caso, como ainda não moro sozinho, meus ranchos são hipotéticos) e ser adulto sozinho. sei que tem muitas pessoas que gostam de fazer isso em conjunto como forma de compartilhar responsabilidades, mas eu realmente amo a sensação de estar cuidando de mim mesmo e tendo responsabilidade pela minha própria vida.
essas são as minhas principais ideias, mas existem muitas outras: ir ao museu, comprar livros, passar o dia estudando na biblioteca (já fiz e recomendo), fazer algum exercício sozinho, visitar brechós/sebos/lojas de disco, ir de ônibus para alguma praia e passar uma noite só... decidi começar com uma lista um pouco mais realista, para que no fim do ano eu possa dizer "olha, eu realmente consegui fazer isso!". seria um grande feito, principalmente considerando que eu estaria genuinamente cuidando de mim mesmo.
terminando a postagem de hoje, decidi indicar o álbum "a vida é uma granada, do dingo bells. eu amo demais o disco "maravilhas da vida moderna" deles, mas não quero indicar tantas músicas repetidas e esse é um dos discos que eu indico sempre, então vou trapacear indicando outro disco da mesma banda. para aqueles que são introvertidos e people pleasers como eu, indico especificamente a música 3: "lindo não". é sobre a euforia de definir limites. alguns podem até considerar triste que eu indique essa música com tanta propriedade, mas ela com certeza não seria tão interessante de ouvir e degustar se eu já tivesse definido algum limite na minha vida sem me sentir uma pessoa horrível.