minha receita imaculada de chilli vegano

tentando varrer um pouco os ares ansiosos daqui, já que meus dois últimos posts foram feitos no ônibus após dias cheios de uma rotina super adulta e cheia da qual eu já estou mais que cansado. estou, nesse exato momento, fazendo download de um de meus filmes favoritos (mary e max) para assistir, já que ele não está em nenhum serviço de streaming e minha internet é meio instável, então não consigo assistir pelo youtube ou drive.

a boa notícia é que eu estou seguindo uma alimentação vegana desde o final de agosto desse ano, e estou me saindo muito bem até agora. na verdade, tenho me alimentado melhor que antes, quando vivia à base de pão com ovo e massa com queijo. o veganismo tem sido um processo de redescoberta dos alimentos, de me permitir introduzir à minha alimentação o que eu conseguir da melhor forma possível. nesse processo, um inimigo de nível boss era o famoso feijão com arroz, que é algo que eu simplesmente não como. 

no entanto, em um dia pós-iniciação científica em que eu estava 100% esgotado e pensando em desistir da universidade, abri o catálogo do ifood e pedi um burrito vegano, que vinha com chilli vegano (soja com feijão), e mesmo com muito medo, pedi. foi a primeira vez que comi feijão e gostei. como não sou burro nem nada, aprendi a fazer e agora como todo dia, sendo um grande substituto do feijão tradicional na minha vida! então, para as pessoas que gostariam de comer algo diferente ou para aquelas que precisam de uma receita fácil pro dia-a-dia, vou ensinar! (e também porque eu amo escrever sobre minhas receitas, é algo que sinto muita falta).

medo de ser engolido pelo medo

hoje fazem 3 semanas desde que eu me mudei para porto alegre, capital do meu estado, e de que estou morando sozinho. desde sempre um dos meus maiores sonhos, dos quais não me arrependo de ter realizado pois essas têm sido as três melhores semanas da minha vida. existe algo sobre porto alegre,  uma sensação aconchegante e familiar que engolfa a pessoa e faz a gente não querer ir embora nunca mais depois que vem pra cá. algo nas partes bonitas, nas partes feias, nas partes barulhentas e na calmaria. essa cidade é diferente.

e existe algo sobre chegar em casa e ter a ti mesmo. existe algo sobre todas as coisas dentro da tua casa serem tuas, só tuas, pertencerem a ti e mais ninguém. algo sobre o silêncio, sobre escolher a música que toca sem medo ou vergonha. existe algo tão teu na tua casa. eu sempre quis isso e agora eu tenho, por pelo menos um ano eu tenho.

tenho medo de estar aqui. as coisas tem sido diferentes desde que eu vim, eu sinto que a minha vida não para — de um jeito bom. as cafeterias, os museus, os amigos, os shows, as praças... essa cidade é diferente, é um organismo. tudo fica aqui, tudo fica perto (assustadoramente perto: perto demais. é muito assustador viver em um lugar em que tu pode facilmente fazer qualquer coisa quando talvez tu não queira fazer nada.)

fazem 24 dias que eu me mudei e 31 dias que me tornei vegano, fazem 3 semestres e 1 mês desde que entrei na faculdade, 11 meses desde que termindi meu relacionamento. não sei quantos meses desde que li meu último livro. não sei quanto tempo falta para a primeira viagem até outro estado (são paulo, aqui vou eu). sinto que faz tanto tempo a mais, que tenho vivido tão mais rápido e tão "ao mesmo tempo" do que era no interior, sinto que não tenho tempo — e dinheiro — pra me conectar comigo.

tenho medo de odiar estar aqui e não conseguir ir embora. tenho mais ainda medo de amar. tenho medo de me apaixonar por porto alegre, tenho medo de me apaixonar pelo meu relez kitnet há 5 minutos a pé da faculdade. tenho medo de amar a jornada, de amar os supermercados, de amar a barulheira e o cheiro de poluição. eu tenho muito medo do quanto eu já amo esse lugar e de não conseguir ficar pra sempre. medo de me apaixonar e precisar voltar.

eu espero não te perder, porto alegre.

ideias de date para se ter sozinho quando você é um introvertido (bônus se você for um trouxa como eu)

esse foi um dia em que eu me mimei muito: coloquei uma roupinha que eu amo, bebi meu cappuccino com muffin de blueberry e depois fui estudar análise experimental do comportamento na biblioteca! saudades <3

estou fazendo esse post às 3:40 da manhã porque tive um surto de criatividade, escrevi uma postagem e apaguei ela. às minhas melhores ideias geralmente vêm quando faço as coisas por impulso, assisto/leio/ouço alguma coisa legal ou quando tenho epifanias tiradas do nada. acho que hoje foi uma mistura de tudo isso (de alguma forma).

eu sou uma pessoa introvertida, isso é um fato. eu sou um people pleaser (também conhecido como "trouxa", o adjetivo descreve uma pessoa que quer sempre agradar os outros e não sabe impor limites a si mesma), isso é outro fato. por conta disso, uma experiência de vida minha é constantemente passar por cima das minhas próprias necessidades para deixar as outras pessoas confortáveis em troca de validação emocional barata. no entanto, sempre senti muita vontade de fazer passeios sozinho, sem precisar ficar correndo atrás de pessoas para agradar. uma grande parcela das melhores memórias da minha vida foram dias tranquilos e gostosos em que eu passei sozinho, então sinto muita falta de poder fazer isso sem me sentir culpado por querer ficar sozinho.

em 2023, eu quero poder começar a colocar essas ideias de "encontros" comigo mesmo que eu tenho em prática (e como estamos em janeiro, pode ser que eu consiga fazer vários "logs" aqui no blog de coisas que eu fiz sozinho nesse ano). fazer esses passeios e atividades diversas sem mais ninguém vai ser certamente uma experiência bem gostosa pra mim, e gostaria também de motivar as pessoas introvertidas que lerem essa postagem a se levar em encontros também! caso se sintam à vontade, vocês também podem colocar aqui nos comentários as vontades que vocês têm em relação a dates sozinhos pra eu experimentar!!

1. ir a uma cafeteria, pedir um cappuccino e um muffin, ouvir música e contemplar a vida

essa definitivamente era a minha atividade favorita na faculdade quando eu ainda não tinha feito nenhum amigo. a minha faculdade tem uma cafeteria ao lado do prédio em que eu tenho aulas que serve os cafés e alguns doces do starbucks, então quando eu estava trabalhando e chegava aquele dia do mês, eu me mimava com um cappuccino e um muffin de blueberry. caso você não goste de muffin ou de blueberry ou de cappuccino ou de felicidade, você pode adaptar à sua maneira e pedir outros cafés também. 

eu costumava degustar com tranquilidade quando não pegava o horário de pico da cafeteria, ouvindo uma musiquinha ou revisando os artigos que seriam discutidos durante as aulas do dia. caso você trabalhe, isso pode se transformar em um coffee office (também conhecido como "usar o Wi-Fi do shopping", o substantivo descreve o trabalho remoto em que as pessoas usam como escritório um ambiente público originalmente destinado à alimentação). você pode até ler um livro, caso tenha a coragem de ler em lugares barulhentos — eu confesso que eu não tenho.

2. ir ao cinema sozinho e assistir a um filme que você realmente decidiu assistir

quero muito colocar essa atividade em prática, mas ainda não tive a oportunidade. na maioria das vezes em que eu tive alguma experiência com o cinema, foi por conta de algum convite de amigos. consequentemente, eu não assisto a muitos filmes que eu gosto, somente a filmes que eles estavam com vontade e que me chamaram para assistir. acho que por isso eu não tenho uma experiência muito agradável com o cinema, adicionando ao fato de 90% dos filmes que eu já fui ver serem da marvel e eu nem sequer gostar de super-heróis.

tenho vontade de ir à lugares como a cinemateca (porque a entrada é barata, mas também porque tem filmes bem interessantes em exibição) e assistir alguma coisa sozinho, prestando atenção de verdade e comendo amendoim. a faculdade também faz algumas exibições de filmes gratuitos, mas o problema do ambiente universitário é que às vezes as pessoas que você conhece também vão a esses eventos ou as pessoas que você não conhece acham que você está disponível para conversar por estar ali, em um evento da universidade.

caso na sua cidade não tenha uma cinemateca, um museu que exibe filmes ou qualquer forma de desconto na entrada do cinema, você pode simular um cinema na sua casa quando estiver sozinho (pena que assim só proporciona uns 30% da experiência).

3. andar de barco, bicicleta, pedalinho, avião, trem, ônibus ou qualquer outra coisa, mas focar nas paisagens e na experiência de viajar

desde que entrei na faculdade, andar de ônibus é parte da minha rotina. não é sempre a parte mais legal da minha rotina (só quem é pobre e ocupado sabe o quão ruim é pegar dois ônibus comuns lotados, em horário de pico, cheio de pessoas fedendo e sem lugar pra sentar), mas às vezes acaba sendo bem agradável (agradeço à minha irmã mais velha pelo patrocínio de me emprestar o vale transporte para eu passear aqui na zona metropolitana do rs). 

a partir dessa experiência, andar de ônibus tem sido o meu porto seguro: um momento em que, antes de eu me render à fingir ser extrovertido e buscar atender às expectativas alheias, eu posso aproveitar ficar a sós com meus pensamentos, com as paisagens, com a música que eu escolho e com a paz de estar a caminho. isso é super gostoso. caminhar é gostoso, andar de trem é gostoso, andar de bicicleta pode ser gostoso e por isso quero expandir essa experiência para várias outras, transformando-as em um momento de autocuidado. no fim do dia, o ônibus lotado fica vazio e quase só eu desço no terminal metropolitano, então acaba sendo gostoso também!

4. fazer coisas de adulto sozinho!

existe uma teoria na internet, creio eu que completamente baseada em testes (talvez não seja), que se chama "as cinco linguagens do amor". para dar um pano de fundo rapidinho, nessa teoria existem 5 linguagens possíveis e a minha é a de atos de serviço. a pessoa que demonstra afeto através dos atos de serviço é aquela que vai te fazer um almoço, que vai dobrar roupas com você, que vai te auxiliar a estudar para as provas e que vai ensinar você a pagar contas em algum aplicativo digital como forma de carinho. essa é a minha linguagem de amor.

dando esse pano de fundo, acho que dá para entender melhor por que eu prezo tanto pelo "resolver problemas e planejar as burocracias da minha vida" como forma de autocuidado. descobri que eu adoro me envolver em projetos, sair para pagar contas, comprar roupas quando eu estou precisando, pesquisar lugares para morar, fazer "ranchos" (nesse caso, como ainda não moro sozinho, meus ranchos são hipotéticos) e ser adulto sozinho. sei que tem muitas pessoas que gostam de fazer isso em conjunto como forma de compartilhar responsabilidades, mas eu realmente amo a sensação de estar cuidando de mim mesmo e tendo responsabilidade pela minha própria vida.

essas são as minhas principais ideias, mas existem muitas outras: ir ao museu, comprar livros, passar o dia estudando na biblioteca (já fiz e recomendo), fazer algum exercício sozinho, visitar brechós/sebos/lojas de disco, ir de ônibus para alguma praia e passar uma noite só... decidi começar com uma lista um pouco mais realista, para que no fim do ano eu possa dizer "olha, eu realmente consegui fazer isso!". seria um grande feito, principalmente considerando que eu estaria genuinamente cuidando de mim mesmo.

terminando a postagem de hoje, decidi indicar o álbum "a vida é uma granada, do dingo bells. eu amo demais o disco "maravilhas da vida moderna" deles, mas não quero indicar tantas músicas repetidas e esse é um dos discos que eu indico sempre, então vou trapacear indicando outro disco da mesma banda. para aqueles que são introvertidos e people pleasers como eu, indico especificamente a música 3: "lindo não". é sobre a euforia de definir limites. alguns podem até considerar triste que eu indique essa música com tanta propriedade, mas ela com certeza não seria tão interessante de ouvir e degustar se eu já tivesse definido algum limite na minha vida sem me sentir uma pessoa horrível.