tenho pensado sobre o blogger mais que nunca no último mês. seja por ter encontrado amigos muito antigos no meu aniversário de 22 anos, amigos que fizeram parte desse pedacinho da minha vida; seja por estar mais pra cá do que pra lá na faculdade, tenho pensado muito sobre coisas que fizeram parte da minha vida e já não fazem mais.
o blogger perpassou minha vida por dez anos, no fim das contas: em 2015, quando eu era só uma criancinha autista que não tinha amigos e queria muito conhecer pessoas que gostassem da mesma coisa que eu. quando entrei na adolescência e comecei a ter dificuldades em estar na escola e me ver atravessada por crises pertinentes a essa fase do desenvolvimento e também à minha identidade sexual e de gênero. no início da minha vida adulta, quando passei na universidade e me mudei para a capital do meu estado, vivendo as adversidades de morar sozinha. a realidade é que "blogar" fez parte da minha identidade de uma forma muito particular, intrínseca e constituinte.
enquanto me impuseram ser menina e mulher cis, enquanto me entendia homem trans e hoje, sendo pessoa não-binária, sempre estive por aqui de uma forma ou outra. um passatempo que serviu como válvula de escape e que hoje assumiu um novo significado na minha rotina: uma memória feliz. sempre foi divertido fazer os layouts criativos e coloridos que hoje eu nem sei mais como se fazem, montar plaquinhas e competições para outras pessoas que compartilharam desse espaço comigo, escrever sobre meus gostos, personalidade, identidade e rotina. cada pedacinho da pessoa que eu sou hoje está perpassado pelas experiências que construí por aqui.
hoje, enquanto pessoa adulta que olha para trás e vê a sua pessoinha de 12 anos criando o Cute Universe para falar de animes enquanto morava em cidade de interior e sofria bullying pelos seus gostos pessoais, fico muito feliz de ter sentido acolhimento por pessoas que, mesmo que eu não conhecesse, gostavam do mesmo que eu e isso já bastava ao demonstrar que eu não estava sozinha. pessoas que me mostraram que ser esquisito é divertido também e com isso mostraram para a adolescente neurodivergente e confusa que ela não estava sozinha.
então mesmo que tudo hoje esteja às traças, eu agradeço muito a cada pessoa que interagiu com meus hiperfocos e minhas mudanças de nome, de endereço, de layout e de personalidade - afinal, crescer é uma maluquice. e agora, vivendo uma realidade não tão crescida mas não tão desprovida de crescimento, eu sinto a necessidade de fechar com carinho um espaço que não merece ser deixado em aberto, largado e sem cuidado.
novamente, agradeço a todes que passaram por essa trajetória comigo! foi incrível, ♡